_é tudo que no céu viaja, pode ser um astronauta ou ainda um passarinho

28 07 2008

o rodolfo cansou de brincar de blog do mesmo jeito que enjoou de groselha. sem problemas, eu tomo partido deste filho e aproveito para fazer algumas considerações.

acho que a benedito ainda não foi divulgada por aqui, portanto está divulgada. a revista está um pitel que só vendo e quem acessar, comentar e repassar para um amigo ganha 10% de desconto em qualquer compra acima de R$ 562,43 nas pernambucanas.

hoje é uma enfadonha segunda-feira, está fazendo um sol de corar e eu só penso na sexta. sexta é dia de afago, polca e … libertinagem. a respiração está apertada, a vontade não cabe no peito, parece até música sertaneja.





_the bride wants revenge

23 05 2008

e para aqueles que tiveram a felicidade de um feriado prolongado, meus parabéns. para os tantos outros que fazem parte deste admirável gado novo, cantado por zé r. aproveitaram a quarta santa para tirar pó dos cds e arrumar a bagunça do mês igual a mim, meus pêsames.

alguns podem ficar um tanto quanto assustados ao saberem que há dias em que curto ver galões de sangue-falso sendo jorrados aos montes em um filme, mas não um qualquer. de uma forma mais elaborada, é claro.

o blockbuster kill bill é um deles. o meu espanador fez uma pausa ao ver a trilha sonora do filmico. porque nada melhor do que ver galões de sangue-falso jorrando da tela embalados por uma bela trilha sonora.

taí uma das minhas preferidas. e abaixo segue a letrinha para cantar junto ao estilo tvz.

nancy sinatra – bang bang

i was five and he was six
we rode on horses made of sticks
he wore black and I wore white
he would always win the fight

bang bang, he shot me down
bang bang, I hit the ground
bang bang, that awful sound
bang bang, my baby shot me down

 

 

 

ps: reparem na cara de microsoft viewer da nancy. ela canta a primeira estrofe toda mexendo somente um ou dois músculos faciais. Porém, notem que passado o “bang bang …”  ela se delicia no resto da música.

 

 





_o paradeiro do pagão por carácter

10 05 2008

numa de suas andanças pueris, o verdadeiro ricardo reis, natural do porto, foi levar uma garrafa de leite à rua coelho da rocha, 16, no primeiro distrito de lisboa. de lá, não voltou jamais. dizem por aí que toma chá com fernando pessoa às terças; dizem também que saramago o matou.





_cantiga do pesar

8 05 2008

Ilustração de Vânia Medeiros

Irritava-se com estas ignorâncias as quais somente eram permitidas as crianças, mas nem a estas ele tolerava. Meu avô era assim, passamos minha infância toda num confronto que parecia não ter fim, cada qual na sua trincheira. Eram sempre por coisas estúpidas, obviamente. Um doce atacado antes do almoço, a hipnose que a tv exercia sobre mim, a hora de dormir, etc etc.

Mas não éramos feitos só de rusgas. Suspendíamos temporariamente as hostilidades e ele tentava me ensinar a jogar xadrez, gostava de desenhar comigo e jogar bola (resolveu enterrar o desapontamento e a incapacidade da minha mãe lhe dar um neto varão). Depois dos doze, já não brigávamos mais, mas também não jogávamos mais xadrez, nem bola, da mesma forma que não desenhávamos. Para mim, ali somente havia a estrutura de um homem e parte da minha existência, mas tampouco ligava para isso.

Às vezes ele ria sem intento algum. Admirava esta espécie de virtude. De uma gargalhada rápida, porém arrastada; gasta. Lacrimejava numa gargalhada só.

Os surtos púberes, porém, nos fizeram retornar a aquela nossa remota relação combatente. No entanto eu resolvi adotar uma postura diferente, não ignorava a nossa incompreensão um para com o outro, pois sempre a achei digna de um vasto aprendizado. Passei então a rir ao final de todas as nossas discussões.

Não era nada forçado e nem precisava. Os motivos das brigas continuavam sendo pouco inteligentes, chegavam à comicidade facilmente. Ao final, ele sempre me acompanhava naquele riso franco e estrepitoso.

Estávamos todos juntos na véspera do seu pesar. E ele não podia deixar de gargalhar para mim. Ensinou-me a rir dos meus defeitos morais, destas pequenas imperfeições que me são próprias, a expô-los sem medo. Esta febre intermitente que é crescer.





_papo-quebra-cabeça [nº 1]

8 05 2008

[12h57. avenida angélica. restaurante. almôndega e abacaxi no prato.]

rodolfo: “na pós, estamos pensando em ir ao bar brahma ver cauby. o que acham? topam?”

junior: “parece legal. adoro cauby.”

rodolfo: “adoro a armação que pende sobre sua cabeça. ele sempre usou peruca?”

solange: “não… na década de 50, ele tinha cabelo curtinho.”

rodolfo: “eu não imagino cauby de cabelo curto. para quem tem menos de 30 anos, cauby nasceu de peruca.”


cauby, sem a “alegoria capilar”, em 1958.





_velhos hábitos

7 05 2008

há umas três noites, sonhei com o poeta fabricio carpinejar. ele tinha a cara do escritor luiz ruffato e queria saber mais sobre meu novo livro, tem um estadista na minha sopa. sim, sonhei até com o nome da obra…

noite passada, estive com saramago. ela era brasileiro e me cedia uma entrevista para um programa qualquer, cujo cenário tinha um fundo preto.

o que tais divagações querem dizer? simples. elas significam que 1) bons literatos são sempre carecas; 2) eu preciso arrumar uma vida social mais sadia e não ficar bebendo na biblioteca de casa. e nem ler qualquer coisa enquanto me encharco de vodca; e 3) se um dia eu sonhar com paulo coelho, cai minha teoria de que somente bons escritores permeiam o mundo de morfeu.





_prato do dia

5 05 2008

em _a vida dos outros, a agrestia da objetiva de gustavo leme.

em _literatura, um qualquer circense.

[...] ela recolheu do chão suas roupas – a camiseta com a estampa “free paris hilton”, uma calça jeans desbotada arremessada longe, uma calcinha contorcida em si mesma e uma meia embolada ["cadê o outro pé, merda?", balbuciava, e seu par parecia lhe responder em roncos].

em _entrevistas, o poeta nato mylton severiano fala de sua terra, marília.

[...] Eu tenho essa imagem [de Marília]: que sai um [político] ruim e entra outro pior.

em _reportagens, uma releitura do caso richthofen.

[...] Uma das agentes penitenciárias que acompanhara Suzane da Penitenciária de Rio Claro, onde a moça aguardava julgamento, viu pessoalmente aquela menina loira, de traços delicados e educação supostamente refinada, levar o dedo à garganta e provocar o vômito. Suzane “vomitou na própria mão e espalhou pela roupa amarela de detento em dia de julgamento”, relata o promotor.





_jacas à la carte

1 05 2008

hoje é quinta com jeito de sábado. vou pedir ao meu babalorixá/pra fazer uma oração pra xangô/pra pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou. ô poetinha, quatorze copos e nada desse mês acabar.





_mal do século é o c*ralho!

30 04 2008

durante o almoço, uma amiga confessou: “de vez em quando, eu estou mal-amada”. a transitoriedade da frase – estar em vez de ser – sugere que o mal do mundo contemporâneo – que para uns é a solidão, enquanto para outros é a depressão [aquele clichê de estar-só-apesar-de-acompanhado] – tem remédios [no plural mesmo]: 1) deus, 2) sexo, e 3) violência.

sim, violência. porque quando as pessoas ainda apanhavam na cara, ninguém ligava tanto para esse tal mal do século. fosse o que fosse.





_três post depois da largada

28 04 2008

alguém ainda duvida que a dona regina colocava lítio na mamadeira do rodolfo? ele não só criou este blog, o nome do blog, o logo (o logo é demais para mim, que sou adepta do ctrl + c numa foto bonita ou desenhos feitos com amor no paint – salve, liz! – ou tirinhas do calvin em preto e branco para que eu possa colorir de acordo com o meu humor)… como também já escreveu três posts!

confesso que fiquei bastante preocupada com a idéia deste blog. já que muito mal consigo dar conta do que já tenho. mas sou de uma opinião mais ou menos vaga de que esta é mais uma tentativa, não tão falha, de encurtar distâncias.

enquanto o filho, uma casa própria em santa teresa, os três cachorros e anterior a isto tudo um emprego neste rio de janeiro não vêm, fiquemos com este espaço e com a vontade de ipês.

_ipê branco